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agosto 08, 2009

If Winter Ends
Bright Eyes

I dreamt of a fever,
one that would cure me of this cold winter-set heart
with heat to melt the frozen tears and burnt with reasons as to carry on
into these twisted months I plunge without a light to follow
(but I swear that I would follow anything)
just get me out of here.
And you get six months to adapt and you get two more to leave town
and in the event that you do adapt we still might not want you around.
I fell for the promise of a life with purpose
but I know that's impossible now
so I drink to stay warm and to kill selected memories
because I just can't think anymore about that or about her tonight.
I give myself three days to feel better or I swear I'll drive right off a fucking cliff because if I can't make myself feel better then how can I expect anyone else to give a shit?
I scream for the sunlight or a car to take me anywhere just get me passed this dead and eternal snow because I swear that I'm dying.
Slowly, but it's happening
and if the perfect spring is waiting somewhere
just take me there and say and lie to me and say it's gonne be alright.

junho 25, 2009

maio 09, 2009

vezenquando tudo parece tão vazio e tão estranho e tão errado como se todas as coisas estivessem fora do lugar. como se você estivesse fora o lugar. e você se sente mal por se sentir mal porque você tem amigos incríveis que se importam com você e que você nunca sequer sonharia com o que você fez para merece-los, mas deve ter sido algo muito certo e ainda assim tudo que você quer fazer é correr e se esconder em um canto escuro dentro do guarda-roupa e chorar e gritar e sofrer sozinho até que alguém te encontre e cuide de ti e diga que todas aquelas coisas todas elas tem um lugar certo para estar

abril 14, 2009

are you happy with yourself?

Escovava os dentes amarelados de tantos cigarros e cafés e pensava que tinha olhos de fracassado. Talvez fosse, mas não tinha certeza.
Ainda era cedo, costumavam dizer, ainda era cedo e há uma vida inteira pela frente. Nada é definitivo, então escove os malditos dentes e vista-se para ir procurar um bom emprego. Cuspiu a água cheia de espuma na pia e pensou em fazer a barba, mas não agora, não às três da tarde de uma segunda-feira quente, não aquela altura de uma vida perdida. Jogou água gelada no rosto e se encarou outra vez no espelho, vendo seu rosto pálido e molhado sem nenhuma expressão. Puxou a toalha fina e secou-se, jogando-a sobre o armarinho do banheiro, sem qualquer preocupação, batendo a porta e correndo os olhos pelo apartamento de dois cômodos que era tão caro para algo tão pequeno, mas estamos na capital, meu bem. O custo de vida não é para você, você devia ter ficado lá, na casa da sua mãezinha enquanto fingia que era um escritor de uma cidade interiorana qualquer.
Ele suspirou.
Precisava de café, mas sabia que todo o pó havia acabado numa dessas noites insones em que ficava observando a vida da metrópole da janela de seu pequeno apartamentinho de aluguéis atrasados. Precisava de café e, talvez, de uma vida, mas não tinha certeza se encontraria algo decente nas parateleiras mal cuidadas do mercadinho da esquina. Pegou o jeans velho da guarda da cadeira, tateando os bolso atrás de dinheiro. Não encontrou nada e jogou-se no sofá-cama não tão macio assim, sentindo as costas doerem logo em seguida. Tateou o maço de cigarros do lado do sofá e o isqueiro.
Acendeu e, por um momento, esperou. Não sabia pelo que, mas sabia que não aconteceria. Tragou com força e quase desespero, expulsando o gosto da pasta de dentes barata enquanto soprava devagar a fumaça do último cigarro.

abril 07, 2009

ecos.

Vezenquando você levanta de manhã como se deixasse um pedaço de si mesmo na cama. Um pedaço pequeno, escondido entre os lençóis. Um pedaço que acabará, invevitavelmente, escorregando para baixo da cama e sendo esquecido para sempre. Ou pelo menos até você perceber o que está faltando e aprender onde é que aquele pedaço cheio de pó encaixa.
Vezenquando você nem levanta de manhã porque você sabe que terá perdido pedaços demais até chegar ao banheiro antes mesmo de poder dizer a si mesmo que deve ir em frente enquanto evita seus olhos no espelho.

abril 06, 2009

Atrasos.

Todo o cansaço de si mesma espalhava-se por seu corpo devagar, sendo aos poucos regado pelo sangue filtrado.

Sístole.

A vida pára.

Diástole.

Ei, você perdeu a chance. Sinto muito, entre na fila novamente.

O tédio antigo de muitos domingos desocupados cobria tudo, inclusive ela, como uma fina e irremovível camada de poeira. Mas poeira nunca pareceu pesar tanto como aquela exaustão da própria vida pesava sobre sua cabeça, forçando-a para o chão ou abaixo dele, não sabia. Apenas esticava as pernas sobre as almofadas macias e espreguiçava-se, mexendo-se lenta sob pressão de ser.

Fingia.

Seus dedos procuravam em vão pelos bolsos algum resto de amor próprio sempre perdido nunca encontrado. Suspirava, desejando fumar, mas não havia cigarro. Lembrava-se de ter fumado o último enquanto esperava o ônibus, amassada entre ocupações e atrasos, entre pessoas e pessoas.

Monstros.

Não aceitava que sua própria espécie pudesse causar-lhe tanto nojo e desprezo.

Não queria.

Sentia-se monstruosa nas manhãs eternas das segundas-feiras. Cansada de ser apenas ou cansada de fingir que nunca fingia.

Fumava.

Um ou dois, talvez, nove ou dez cigarros rápidos e estressados enquanto se re-adaptava ao caos diário. Tremia, tremia muito enquanto tinha uma vida. Conversava, mentia, aceitava. Nada seria ou teria sido como algum dia ela esperou.
Sístole.

Você cansa.

Diástole.

Você é jogado de volta.